Intuition – Feist

Depois de meses sem passar por aqui estou de volta.

E volto porque não teria paz se não o fizesse. Tem me consumido a semana inteira. “O quê?”, vocês me perguntam. E eu respondo: “Esse sentimento, essa música, essa mulher. Dando nome aos bois: Deslumbre, Intuition, Feist.

Para quem não faz ideia de quem é a moça, lhes conto brevemente que ela é uma canadense que está por aí na cena indie rock do momento, e que esteve aqui em Sampa City para dois shows essa semana – 22 e 23 de outubro, segunda e terça passadas respectivamente. Pra quem não sabe também –  e acredito que não saibam mesmo – a mulher é tão não-conhecida pela massa que eu achava que teria que ir até o Canadá para ver essa deusa indie cantar ao vivo. Nem precisei (apesar de ainda querer conhecer o Canadá qualquer dia desses… \o/). Fui ao show de terça mesmo!
Para minha felicidade estrema, além de curtir a moça grudada na minha cara o show inteiro presenciei o sublime momento – para nós “Tiétes” – em que ela desce de uma van e simplesmente vem falar com a galera na fila. Ela havia feito isso no dia anterior mas nada garantia que aconteceria de novo. Taí, meu lugar à lua ao lado da querida Feist: 

 

Antes do show começar a pergunta na minha mente era apenas uma: ela vai tocar “Intuition”? No show anterior não tinha rolado, e meus neurônios entravam em pane só de pensar na possibilidade do não… ou do sim vou ouvir a tal da música.

Pasmem, assim como eu pasmei: a tal “Intuition” de que tanto falo foi logo a primeira, já pra matar de amor a minha pessoa. Depois disso foi só felicidade num show que fez minha alegria da semana, do mês e talvez até a do ano.

Achei que minha ansiedade iria embora e que meus neurônios inquietos se acalmariam logo depois da dose Feist de terça passada. Que nada! Não consigo tirar esse dia da cabeça, muito menos essa música. O porquê exato eu não sei, mas encontro nessa música uma mistura de tantos sentimentos sobre as pessoas, sobre os lugares, sobre a vida… tudo junto, tanta coisa, e tudo em 5 minutos de guitarra mais ou menos distorcida, tocada sem muita pretensão e uma voz calma misturada a uma explosão em momentos estratégicos.

Da tradução: sem muitos desafios no que diz respeito ao vocabulário, mas com destaque para as antes desconhecidas ‘overgrown’ e ‘piecemeal’ que foram traduzidas por substantivos enquanto que em inglês elas são adjetivos. A “treta” foi juntar os pedaços, as ideias, as mensagens todas. Primeiro havia pensado em fazer em prosa, mas poderia escrever um conto ou até algo mais longo com o conteúdo incrivelmente vasto que há nessa letra. Acabei desistindo, portanto, e ficando com o formato da letra como estava. Mas ao traduzir não conseguia não cantar junto, mesmo em português. Daí me veio uma ideia: peguei o violão e encaixei o que traduzi na melodia, e o resultado foi que eu fiz uma tradução/versão que pode ser tocada/cantada em português. Eu cantei, mas por enquanto não me arrisco a gravar e colocar para vocês sem antes dar  uma praticada mais intensa nos acordes. Sem mais delongas, deixo a letra e tradução. Quem manjar da música e de viola pode super me enviar um vídeo cantando a versão em português? Eu adoraria ver. Postarei o meu também, mas até lá deixo o link do vídeo direto do show que assisti, feito pela mineirinha querida Marcelle que conheci no dia. Descrição dela no vídeo: “Amor em formato de vídeo”. S2

What gives what helps the intuition?
I know I’ll know
I won’t have to be shown
The way home
And it’s not about a boy
Although although
They can lead you
Break or defeat you

A destination known
Only by the one
Who’s fate is overgrown
Piecemeal can break your home in half
A love is not complete with only heat

And they can tease you
Break or complete you

And it came a heat wave
A merciful save
You choose you chose
Poetry over prose
A map is more unreal than where you’ve been
Or how you feel
A map is more unreal than where you’ve been
Or how you feel
And it’s impossible to tell
How important someone was
And what you might have missed out on
And how he might have changed it all
And how you might have changed it all for him
And how he might have changed it all
And how you might have changed it all for him

Did I, did I

Did I, did I
Did I, did I
Did I, did I

Did I did I miss out on you?

 

***

 

 

O que traz, o que ajuda a intuição?

Sei que eu sei

Minha casa onde está

Não, não, me mostra não

Nem é por causa dele

Sem bem, pensando bem

Ele pode me guiar,

machucar, ou me derrotar

 

Um lugar conhecido

Só por quem tem o

destino sob o limo

Preguiça leva um lar

Ao pó

E nem só de calor

é feito um amor

 

E ele pode me provocar,

destruir, ou me completar

 

Uma onda de calor

Salvação piedosa

Você escolhe, já prefere

Poesia à prosa

Mapas não seguem

aonde se vai

nem o que sentem

Mapas não seguem

aonde se vai

nem o que sentem

E é impossível de dizer

O quão importante alguém foi

E o que pode ter

Escapado

E como ele podia

Mudar tudo

E o como eu podia

mudar tudo por ele

E como ele podia mudar

tudo

Eu como eu podia mudar tudo por ele

 

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

 

Eu deixei você escapar de mim?
 

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Somebody That I Used To Know – Gotye

Após um certo tempo cá estou eu Galera, de volta à ativa e pensando em algumas (muitas) ideias para melhorar o blog e atender todos os pedidos o mais rápido possível. Recebi um especialíssimo do Jaime (@jaimredlich) pelo Twitter que me animou por demais pelo fato de eu estar vidrada nesse artista ultimamente. E esse tal alguém é o Gotye. Primeiro vi um vídeo de um cover – fantástico cover, diga-se de passagem – da música da qual logo mais vocês verão a tradução, e eu simplesmente me apaixonei. Lembro que nesse dia fiquei horas e horas fuçando e fazendo download de todas as coisas do cara, claro. Baixei os dois trabalhos dele e as minhas músicas preferidas ficaram “Save Me” e “In Your Light”. Recomendo conferir!

No que diz respeito à tradução, rapidamente, preciso dizer que o formato ‘letra de música’ não ficou tão bacana quanto eu gostaria então resolvi mudar. Achei que o formato ‘carta/bilhete/email/whatever ficaria melhor, considerando que há duas pessoas “conversando” na música já que isso fica claro com a participação da Kimbra.

Sem mais por agora, segue logo abaixo – pra quem não conhece – o vídeo do cover do Walk Off The Earth, a letra em inglês e a minha percepção em português da mensagem da música. Fiquem a vontade para comentar, sugerir, criticar, etc. afinal, tradução boa é aquela revisada, comentada, lida, reinventada. Sempre. 😉

Somebody That I Used To Know (feat. Kimbra)

 

Now and then I think of when we were together

Like when you said you felt so happy you could die

Told myself that you were right for me

But felt so lonely in your company

But that was love and it’s an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness

Like resignation to the end, always the end

So, when we found that we could not make sense

Well, you said that we would still be friends

But I’ll admit that I was glad that it was over

But you didn’t have to cut me off

Make out like it never happened and that we were nothing

And I don’t even need your love

But you treat me like a stranger and that feels so rough

No, you didn’t have to stoop so low

Have your friends collect your records and then change your number

I guess that I don’t need, that though

Now you’re just somebody that I used to know

Now you’re just somebody that I used to know

Now you’re just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over

But had me believing it was always something that I’d done

But I don’t wanna live that way, reading into every word you say

You said that you could let it go

And I wouldn’t catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn’t have to cut me off

Make out like it never happened and that we were nothing

And I don’t even need your love

But you treat me like a stranger and that feels so rough

No, you didn’t have to stoop so low

Have your friends collect your records and then change your number

I guess that I don’t need, that though

Now you’re just somebody that I used to know

Somebody, I used to know

Somebody, now you’re just somebody that I used to know

Somebody, I used to know

Somebody, now you’re just somebody that I used to know

I used to know

That I used to know

I used to know

Somebody

—–

Vez por outra eu me lembro de quando estávamos juntos, como quando você disse que morreria de tanta felicidade. Cheguei a acreditar que você era a pessoa certa pra mim, mas eu me sentia muito sozinho ao seu lado. Era amor e ao mesmo tempo um dor, dor que eu ainda sinto.

É possível se viciar em algum tipo de tristeza, como aquele conformismo do fim, e sempre o do fim. Daí quando descobrimos que não fazia mais sentido você me disse que haveria amizade, e admito que fiquei feliz quando tudo acabou.  Você só não precisava me ignorar, fingir que nada aconteceu, que nunca fomos nada… Eu nem preciso do seu amor, mas você me trata como um estranho e eu acho isso tão grosseiro… Não precisava desse golpe baixo, pedir seus amigos para buscar seus CDs e depois ainda mudar de telefone.

Não, eu NÃO preciso disso.

Você agora é só mais alguém que um dia eu conheci.

Adeus,

De quem foi deixado.

Vez por outra eu me lembro de todas aquelas vezes que você me sacaneou e me fez acreditar que a culpa era a minha. Eu só não quero viver assim, remoendo cada palavra que você me diz. Você disse que ia esquecer e não se preocupar mais com alguém que um dia conheceu.

Adeus,

De quem deixou ir.


Back, but not to black

Finally. é isso mesmo: F I N A L M E N TE!

Meaning in Music está de volta! Aos caros leitores que passaram por aqui e deixaram seus comentáriso e pedidos, um grande GRITO de desculpas, pois a volta se mostrou bem mais complicada do que eu imaginava. Mas os tempos são outros agora e após muitos e muitos acontecimentos e descobertas (experiências diversas na vida que qualquer dia desses eu acho que conto), concluí que tradução mesmo, pra mim, tem que ser de música. Não tem jeito. Eu amo música, sem preconceitos – tenho minhas preferências, claro, mas estou aberta a conhecer coisas novas sempre -, e pelo que tenho visto nada anda muito mudado nesse ramo da tradução. A coisa ainda tá preta.

E por falar em preta, estou lendo um desses best-sellers aí, um que se chama “Melancia”, sabem? Pois é, estou eu lá no meio da leitura quando percebo uma frase do tipo “queria deixar ele com um olho preto”. Anderson Silva que não escute essa! Não prefiro nenhum nem outro, mas se for pra levar que seja um “olho roxo” , né?

A maior dificuldade de se traduzir é sempre quando tratamos de expressões do cotidiano, do universo mais informal. É preciso ter bastante conhecimento dessa linguagem para fazer com o que se está traduzido passe a mesma mensagem do original, mas com a carinha do idioma novo. “Black eye” em português não dá pra encarar como “olho preto”, concordam?

Enfim, por essas e outras resolvi que de uma vez por todas vou estar aqui com um pouco mais de corpo e alma do que antes. Sem muitas pretensões, nada de entrar em análises muito profundas das letras Minha proposta é, sempre que der, destacar alguma coisa que eu achar interessante nas letras, do ponto de vista gramatical (colocações e afins) e fazer algum comentário. Depois disso, segue vídeo e tradução. Aproveitem, comentem, opinem!

Beijos e até mais,

Cah(milla)

Use Somebody – Kings of Leon

Adoro Kings of Leon e não vi oportunidade melhor para começar as traduções do que esta música. Em todos os lugares nos quais busquei a tradução, há sempre a expressão que entitula a música traduzida como “usar alguém”. No entanto, acho esta escolha um pouco sem pé nem cabeça se levarmos em consideração a letra como um todo. Daí comecei a pensar nas possibilidades para este trecho e também, após ler e reler a letra, em tudo que isso poderia dizer. Foi então que percebi que o mais importante esqueceu de ser considerado: o verbo auxiliar “could”. A expressão “could use” tem um sentido completamente diferente do verbo em questão. Segue a definição do dicionário Longman: could use something (spoken):  if you say you could use something, you mean you would really like to have it: I could use a drink. Pra quem não entendeu aí vai a definição traduzida: could use significa querer muito algo, como no exemplo dado – Eu queria muito uma bebida. Puxa, agora eu fiquei mesmo afim de um drink. Rs! Deixo vocês com a minha tradução para toda a letra. Analisem e comentem!

Tenho andado por aí
Sempre menosprezando tudo que vejo;
Rostos coloridos enchem lugares aos quais não pertenço.

Você sabe que eu queria muito alguém,
Você sabe que eu queria muito alguém,

Alguém como você

Com tudo que sabe, e o com seu sotaque

Com inúmeros amores soltos nas ruas como disfarce.

Você sabe que eu queria muito alguém,
Você sabe que eu queria muito alguém,
Alguém assim como você.


Noite adentro você vive enquanto eu adentro o sono
E travo batalhas tentando acordar o poeta e a rima.

Espero que isso te faça notar,

Espero que isso te faça notar,

Alguém assim como eu

Alguém assim como eu

Alguém assim como eu – um alguém


Alguém assim como você – um alguém
Alguém assim como você – um alguém

Alguém assim como você – um alguém

Tenho andado por aí
Sempre menosprezando tudo que vejo.