Graveyard – Feist

Que hoje é feriado, e Dia de Finados, todo mundo sabe. E mais que um dia de folga, essa data pode ter significados diferentes para as pessoas.

Algumas pessoas já se foram da minha vida, e toda vez que vou a um velório sinto aquele pesar e, mais que isso, fico questionando o que é a vida, o que é o tempo e, principalmente, o que será que vem depois. Uma sensação muito estranha de fato. Um questionamento daqueles que passa dias e dias na cabeça.

Aproveitando a minha vibe Feistiana, posto aqui a tradução de Graveyard da Feist, que fiz junto com um breve comentário da cantora em sua página no Facebook sobre o significado da música. Um milhão de coisas vieram à minha cabeça ao ler o que ela escreveu, eu eu poderia escrever por horas sobre o assunto. Mas me limitei a apenas traduzi-lo e deixar vocês a vontade para começar o papo, blz?

Ah, aí vai uma curiosidade: sabe qual a diferença entre as palavras “graveyard” e “cemetery”? Ambas podem ser traduzidas por “cemitério em português mas, de acordo com o dicionário Longman, “graveyard” é um cemitério ao lado de e pertencente a uma igreja enquanto que “cemetery” seria uma área designada, específica, utilizada para enterrar corpos. Interessante, não?

Além disso, “graveyard” também pode significar “aterro, lixão” – o mesmo da Carminha! -, como um lugar onde se jogam as coisas que não queremos mais. Eu consideraria também esse depósito como aquele local em nossas mentes em que jogamos todas aquelas lembranças que não queremos mais, sabe? Todo mundo deve ter um lugarzinho, como o meu, em que guardamos aqueles pensamentos ou momentos que não conseguimos esquecer, mas que não fazem mais parte da vida…

Segue então o comentário de Feist sobre a música, acompanhada da letra. Ambos em inglês e português. Bom feriado à todos!

“I’m not talking about the Graveyard as a location, but of the entangled thoughts you get when visiting a graveyard. Usually you’re there to visit someone who’s died, and you think in broad terms about what they’ve become and your own mortality and about what time means. We’re alone in the field, always at a distance. And people appear and disappear from your life.

Grief comes in the form of much larger thoughts; it’s more philosophical and it leads to a confused state of mind. You don’t get those thoughts from checking your emails! It’s a pullback from details and its grand and isolating.

In celebration of Day of the Dead – Graveyard.”

[Não me refiro ao cemitério como um lugar físico, mas sim como o turbilhão de pensamentos que vem à cabeça quando vamos a um. Geralmente vamos a um cemitério visitar alguém que já morreu e, em termos gerais, pensamos no que essa pessoa se tornara e em nossa própria mortalidade, assim como no significado da palavra “tempo”. A batalha é solitária, e mantemos sempre uma certa distância. E as pessoas vêm e vão de nossas vidas.

A dor da perda se materializa em pensamentos muito maiores – mais filosóficos -, e que levam a mente a um estado confuso. Pensamentos como esses não vêm quando checamos os e-mails! É um recuo a grandiosidade e isolamento que os detalhes possuem.

Em comemoração ao Dia de Finados – Graveyard.]

“Graveyard”

The graveyard, the graveyard all full of light
The only age, the beating heart is empty of life
Dirt and grass, a shadow heart; the moon sails past
Blood as ice is an empty crisis, lonely it lies

Whoa-ah-ah-ah ah-ah, bring ‘em all back to life [x4]

Roots and lies, roots and lies, our family tree is old
From there we climb the golden hill, calmly will eternity
I held your heart, a giant wand; all tell of sorrow
And history begins to be blue and brown eyes

Whoa-ah-ah-ah ah-ah, bring ‘em all back to life [x8]

“Cemitério”

 

O cemitério… o cemitério cheio de luz

A única era, o coração que bate sem vida.

Terra e grama, um vice-coração. E a lua passa ao navegar.

O sangue coalhado e gelado, é a crise solitária que fica.

 

Ah, ressuscitem!

 

 

Origens mentirosas, origens mentirosas, nossas origens estão ultrapassadas.

De lá escalamos a montanha dourada, e calma virá a eternidade.

Segurei seu coração, uma varinha de condão; tudo pedia perdão.

E a história passa a ser eu e você.

 

Ah, ressuscitem! 

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