Graveyard – Feist

Que hoje é feriado, e Dia de Finados, todo mundo sabe. E mais que um dia de folga, essa data pode ter significados diferentes para as pessoas.

Algumas pessoas já se foram da minha vida, e toda vez que vou a um velório sinto aquele pesar e, mais que isso, fico questionando o que é a vida, o que é o tempo e, principalmente, o que será que vem depois. Uma sensação muito estranha de fato. Um questionamento daqueles que passa dias e dias na cabeça.

Aproveitando a minha vibe Feistiana, posto aqui a tradução de Graveyard da Feist, que fiz junto com um breve comentário da cantora em sua página no Facebook sobre o significado da música. Um milhão de coisas vieram à minha cabeça ao ler o que ela escreveu, eu eu poderia escrever por horas sobre o assunto. Mas me limitei a apenas traduzi-lo e deixar vocês a vontade para começar o papo, blz?

Ah, aí vai uma curiosidade: sabe qual a diferença entre as palavras “graveyard” e “cemetery”? Ambas podem ser traduzidas por “cemitério em português mas, de acordo com o dicionário Longman, “graveyard” é um cemitério ao lado de e pertencente a uma igreja enquanto que “cemetery” seria uma área designada, específica, utilizada para enterrar corpos. Interessante, não?

Além disso, “graveyard” também pode significar “aterro, lixão” – o mesmo da Carminha! -, como um lugar onde se jogam as coisas que não queremos mais. Eu consideraria também esse depósito como aquele local em nossas mentes em que jogamos todas aquelas lembranças que não queremos mais, sabe? Todo mundo deve ter um lugarzinho, como o meu, em que guardamos aqueles pensamentos ou momentos que não conseguimos esquecer, mas que não fazem mais parte da vida…

Segue então o comentário de Feist sobre a música, acompanhada da letra. Ambos em inglês e português. Bom feriado à todos!

“I’m not talking about the Graveyard as a location, but of the entangled thoughts you get when visiting a graveyard. Usually you’re there to visit someone who’s died, and you think in broad terms about what they’ve become and your own mortality and about what time means. We’re alone in the field, always at a distance. And people appear and disappear from your life.

Grief comes in the form of much larger thoughts; it’s more philosophical and it leads to a confused state of mind. You don’t get those thoughts from checking your emails! It’s a pullback from details and its grand and isolating.

In celebration of Day of the Dead – Graveyard.”

[Não me refiro ao cemitério como um lugar físico, mas sim como o turbilhão de pensamentos que vem à cabeça quando vamos a um. Geralmente vamos a um cemitério visitar alguém que já morreu e, em termos gerais, pensamos no que essa pessoa se tornara e em nossa própria mortalidade, assim como no significado da palavra “tempo”. A batalha é solitária, e mantemos sempre uma certa distância. E as pessoas vêm e vão de nossas vidas.

A dor da perda se materializa em pensamentos muito maiores – mais filosóficos -, e que levam a mente a um estado confuso. Pensamentos como esses não vêm quando checamos os e-mails! É um recuo a grandiosidade e isolamento que os detalhes possuem.

Em comemoração ao Dia de Finados – Graveyard.]

“Graveyard”

The graveyard, the graveyard all full of light
The only age, the beating heart is empty of life
Dirt and grass, a shadow heart; the moon sails past
Blood as ice is an empty crisis, lonely it lies

Whoa-ah-ah-ah ah-ah, bring ‘em all back to life [x4]

Roots and lies, roots and lies, our family tree is old
From there we climb the golden hill, calmly will eternity
I held your heart, a giant wand; all tell of sorrow
And history begins to be blue and brown eyes

Whoa-ah-ah-ah ah-ah, bring ‘em all back to life [x8]

“Cemitério”

 

O cemitério… o cemitério cheio de luz

A única era, o coração que bate sem vida.

Terra e grama, um vice-coração. E a lua passa ao navegar.

O sangue coalhado e gelado, é a crise solitária que fica.

 

Ah, ressuscitem!

 

 

Origens mentirosas, origens mentirosas, nossas origens estão ultrapassadas.

De lá escalamos a montanha dourada, e calma virá a eternidade.

Segurei seu coração, uma varinha de condão; tudo pedia perdão.

E a história passa a ser eu e você.

 

Ah, ressuscitem! 

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Intuition – Feist

Depois de meses sem passar por aqui estou de volta.

E volto porque não teria paz se não o fizesse. Tem me consumido a semana inteira. “O quê?”, vocês me perguntam. E eu respondo: “Esse sentimento, essa música, essa mulher. Dando nome aos bois: Deslumbre, Intuition, Feist.

Para quem não faz ideia de quem é a moça, lhes conto brevemente que ela é uma canadense que está por aí na cena indie rock do momento, e que esteve aqui em Sampa City para dois shows essa semana – 22 e 23 de outubro, segunda e terça passadas respectivamente. Pra quem não sabe também –  e acredito que não saibam mesmo – a mulher é tão não-conhecida pela massa que eu achava que teria que ir até o Canadá para ver essa deusa indie cantar ao vivo. Nem precisei (apesar de ainda querer conhecer o Canadá qualquer dia desses… \o/). Fui ao show de terça mesmo!
Para minha felicidade estrema, além de curtir a moça grudada na minha cara o show inteiro presenciei o sublime momento – para nós “Tiétes” – em que ela desce de uma van e simplesmente vem falar com a galera na fila. Ela havia feito isso no dia anterior mas nada garantia que aconteceria de novo. Taí, meu lugar à lua ao lado da querida Feist: 

 

Antes do show começar a pergunta na minha mente era apenas uma: ela vai tocar “Intuition”? No show anterior não tinha rolado, e meus neurônios entravam em pane só de pensar na possibilidade do não… ou do sim vou ouvir a tal da música.

Pasmem, assim como eu pasmei: a tal “Intuition” de que tanto falo foi logo a primeira, já pra matar de amor a minha pessoa. Depois disso foi só felicidade num show que fez minha alegria da semana, do mês e talvez até a do ano.

Achei que minha ansiedade iria embora e que meus neurônios inquietos se acalmariam logo depois da dose Feist de terça passada. Que nada! Não consigo tirar esse dia da cabeça, muito menos essa música. O porquê exato eu não sei, mas encontro nessa música uma mistura de tantos sentimentos sobre as pessoas, sobre os lugares, sobre a vida… tudo junto, tanta coisa, e tudo em 5 minutos de guitarra mais ou menos distorcida, tocada sem muita pretensão e uma voz calma misturada a uma explosão em momentos estratégicos.

Da tradução: sem muitos desafios no que diz respeito ao vocabulário, mas com destaque para as antes desconhecidas ‘overgrown’ e ‘piecemeal’ que foram traduzidas por substantivos enquanto que em inglês elas são adjetivos. A “treta” foi juntar os pedaços, as ideias, as mensagens todas. Primeiro havia pensado em fazer em prosa, mas poderia escrever um conto ou até algo mais longo com o conteúdo incrivelmente vasto que há nessa letra. Acabei desistindo, portanto, e ficando com o formato da letra como estava. Mas ao traduzir não conseguia não cantar junto, mesmo em português. Daí me veio uma ideia: peguei o violão e encaixei o que traduzi na melodia, e o resultado foi que eu fiz uma tradução/versão que pode ser tocada/cantada em português. Eu cantei, mas por enquanto não me arrisco a gravar e colocar para vocês sem antes dar  uma praticada mais intensa nos acordes. Sem mais delongas, deixo a letra e tradução. Quem manjar da música e de viola pode super me enviar um vídeo cantando a versão em português? Eu adoraria ver. Postarei o meu também, mas até lá deixo o link do vídeo direto do show que assisti, feito pela mineirinha querida Marcelle que conheci no dia. Descrição dela no vídeo: “Amor em formato de vídeo”. S2

What gives what helps the intuition?
I know I’ll know
I won’t have to be shown
The way home
And it’s not about a boy
Although although
They can lead you
Break or defeat you

A destination known
Only by the one
Who’s fate is overgrown
Piecemeal can break your home in half
A love is not complete with only heat

And they can tease you
Break or complete you

And it came a heat wave
A merciful save
You choose you chose
Poetry over prose
A map is more unreal than where you’ve been
Or how you feel
A map is more unreal than where you’ve been
Or how you feel
And it’s impossible to tell
How important someone was
And what you might have missed out on
And how he might have changed it all
And how you might have changed it all for him
And how he might have changed it all
And how you might have changed it all for him

Did I, did I

Did I, did I
Did I, did I
Did I, did I

Did I did I miss out on you?

 

***

 

 

O que traz, o que ajuda a intuição?

Sei que eu sei

Minha casa onde está

Não, não, me mostra não

Nem é por causa dele

Sem bem, pensando bem

Ele pode me guiar,

machucar, ou me derrotar

 

Um lugar conhecido

Só por quem tem o

destino sob o limo

Preguiça leva um lar

Ao pó

E nem só de calor

é feito um amor

 

E ele pode me provocar,

destruir, ou me completar

 

Uma onda de calor

Salvação piedosa

Você escolhe, já prefere

Poesia à prosa

Mapas não seguem

aonde se vai

nem o que sentem

Mapas não seguem

aonde se vai

nem o que sentem

E é impossível de dizer

O quão importante alguém foi

E o que pode ter

Escapado

E como ele podia

Mudar tudo

E o como eu podia

mudar tudo por ele

E como ele podia mudar

tudo

Eu como eu podia mudar tudo por ele

 

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

Eu deixei, deixei

 

Eu deixei você escapar de mim?
 

Adele na medida

Impressionante como essa mina tem o poder, pelo menos por hora.

Toda vez que posto ou vejo alguém postar algo sobre a Adele é batata: bomba mais que qualquer outra coisa.

Enquanto preparo umas traduções novas, resolvi postar um par de coisas que encontrei sobre ela por aí, e por acaso. 

Eu gosto da Adele, mas concordo quando dizem que a pessoa, ou pelo menos o trabalho dela, é um tanto quanto deprê. Tão deprê que foi até satirizado no Saturday Night Live, programa americano que já está no ar há séculos e que não cansa de tirar sarro de quem merece, ou não. Em um dos episódios, os caras mostram uma moça no escritório depois de um dia de trabalho, que recusou ir a um  happy hour saborear umas asinhas de frango com os colegas só pra curtir uma fossa ao som de “Someone Like You [Alguém Como Você]”. Acontece que ela não é a única que sente uma vontade incontrolável de chorar toda vez que escuta a tal da música. Vale a pena conferir o vídeo aqui:

SNL tirando um barato de “Someone Like You” da Adele

E falando em fossa: quem nunca curtiu uma, não é mesmo? A pergunta que fica é a seguinte, então: Como é que vocês curtem? Ouvindo que música? Comendo qual porcaria? hahaha. Pra mim um choco sempre é bem-vindo. #ficaadica.

Pra quem escolher a Adele tem até drink específico pra fazer, sabia?
No Drinkify você pode digitar o nome de um artista que ele te dá uma receita de uma bebida que melhor acompanhe a trilha sonora. Segue a tradução da que eu encontrei para a Adele:

“O Drink Adele”:

60 ml de vodka

60 ml de leite de coco

30 ml de mel

Misture tudo em um copo alto, próprio para coquetéis, e enfeite-o com uma ou duas rodelas de pepino.

Se fica bom eu não sei. Mas quem provar pode bem dar uma passadinha aqui e deixar um relato da experiência, não?

Cheers e até a próxima!

Camilla

=)

PS.: Medias em inglês são sempre chatinhas. De acordo com o Longman Dictionary, cada ounce (oz) – em português onça – equivale a 28.35 gramas, que convertido para líquido dá exatamente 30 ml.

Anne Hathaway e cabelo super curto entram em cena

Este domingo decidi traduzir algo diferente… rs!

Piadas a la Luiza Marilaque à parte, publico abaixo a tradução de um artigo da People Magazine sobre a Anne Hathaway, aquela de O Diabo Veste Prada, sabe? Pois bem, no artigo vocês vão encontrar as últimas da gatinha, além do cabelo mega curto da foto, claro.
No que diz respeito à tradução, tentei dar o cunho jornalístico que o texto em inglês pede e faz claro pelo gênero e caráter da publicação, obviamente. Espero que esteja como algo que geralmente vemos por aí nas revistas em português. Algumas partes deram um pouco mais de trabalho, como o negócio do passeio turístico, que demorei um pouco pra sacar e mesmo assim nem acho que ficou tão específico mas que, no entanto, creio não fazer falta ao leitor brasileiro.
Comentem o que acharam tanto da tradução quanto das novidades sobre a Anne, ok?

Até a próxima!

😉

Anne Hathaway e cabelo super curto entram em cena

Por Kristen Mascia

8 de abril de 2012, 15h30.

Anne Hathaway deve estar se sentindo bem mais magra dos ombros para cima. A atriz de 29 anos saiu às ruas de Londres cedo esta manhã de domingo ostentando um novo corte de cabelo baita curto.

Na companhia do noivo Adam Shulman e de uma amiga, Anne cobriu timidamente a cabeça com as mãos – como se escondesse o novo visual  – ao deixar a balada The Box no bairro de Soho, em Londres.

A atriz cortou as longas madeixas castanhas por causa de seu novo papel, uma adaptação ainda a estrear de Os Miseráveis. Contracenando ao lado de Hugh Jackman e Russell Crowe, Anne vive Fantine, uma mãe solteira que corta e vende seu cabelo e vê a prostituição como saída para poder alimentar o filho.

Mas para fazer esse papel ela perdeu muito mais do que apenas o cabelo. O representante de Anne pronunciou que ela também teve que perder peso para incorporar a personagem.

Com o set de filmagem agora em Londres, Anne recentemente fez um passeio histórico pela arte vitoriana de fabricar cordas.  “Ela estava quieta fazendo anotações em um caderno”, disse a moradora local Jo Lord ao jornal britânico Medway Messenger. “Parece a Anne Hathaway só que muito mais magra”, pensou Lord que disse inclusive que sua filha, fã de O Diário da Princesa , estrelado por Anne em 2001, ajudou-a na hora de reconhecer a atriz.

Fonte: http://www.people.com/people/article/0,,20585343,00.html

Somebody That I Used To Know – Gotye

Após um certo tempo cá estou eu Galera, de volta à ativa e pensando em algumas (muitas) ideias para melhorar o blog e atender todos os pedidos o mais rápido possível. Recebi um especialíssimo do Jaime (@jaimredlich) pelo Twitter que me animou por demais pelo fato de eu estar vidrada nesse artista ultimamente. E esse tal alguém é o Gotye. Primeiro vi um vídeo de um cover – fantástico cover, diga-se de passagem – da música da qual logo mais vocês verão a tradução, e eu simplesmente me apaixonei. Lembro que nesse dia fiquei horas e horas fuçando e fazendo download de todas as coisas do cara, claro. Baixei os dois trabalhos dele e as minhas músicas preferidas ficaram “Save Me” e “In Your Light”. Recomendo conferir!

No que diz respeito à tradução, rapidamente, preciso dizer que o formato ‘letra de música’ não ficou tão bacana quanto eu gostaria então resolvi mudar. Achei que o formato ‘carta/bilhete/email/whatever ficaria melhor, considerando que há duas pessoas “conversando” na música já que isso fica claro com a participação da Kimbra.

Sem mais por agora, segue logo abaixo – pra quem não conhece – o vídeo do cover do Walk Off The Earth, a letra em inglês e a minha percepção em português da mensagem da música. Fiquem a vontade para comentar, sugerir, criticar, etc. afinal, tradução boa é aquela revisada, comentada, lida, reinventada. Sempre. 😉

Somebody That I Used To Know (feat. Kimbra)

 

Now and then I think of when we were together

Like when you said you felt so happy you could die

Told myself that you were right for me

But felt so lonely in your company

But that was love and it’s an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness

Like resignation to the end, always the end

So, when we found that we could not make sense

Well, you said that we would still be friends

But I’ll admit that I was glad that it was over

But you didn’t have to cut me off

Make out like it never happened and that we were nothing

And I don’t even need your love

But you treat me like a stranger and that feels so rough

No, you didn’t have to stoop so low

Have your friends collect your records and then change your number

I guess that I don’t need, that though

Now you’re just somebody that I used to know

Now you’re just somebody that I used to know

Now you’re just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over

But had me believing it was always something that I’d done

But I don’t wanna live that way, reading into every word you say

You said that you could let it go

And I wouldn’t catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn’t have to cut me off

Make out like it never happened and that we were nothing

And I don’t even need your love

But you treat me like a stranger and that feels so rough

No, you didn’t have to stoop so low

Have your friends collect your records and then change your number

I guess that I don’t need, that though

Now you’re just somebody that I used to know

Somebody, I used to know

Somebody, now you’re just somebody that I used to know

Somebody, I used to know

Somebody, now you’re just somebody that I used to know

I used to know

That I used to know

I used to know

Somebody

—–

Vez por outra eu me lembro de quando estávamos juntos, como quando você disse que morreria de tanta felicidade. Cheguei a acreditar que você era a pessoa certa pra mim, mas eu me sentia muito sozinho ao seu lado. Era amor e ao mesmo tempo um dor, dor que eu ainda sinto.

É possível se viciar em algum tipo de tristeza, como aquele conformismo do fim, e sempre o do fim. Daí quando descobrimos que não fazia mais sentido você me disse que haveria amizade, e admito que fiquei feliz quando tudo acabou.  Você só não precisava me ignorar, fingir que nada aconteceu, que nunca fomos nada… Eu nem preciso do seu amor, mas você me trata como um estranho e eu acho isso tão grosseiro… Não precisava desse golpe baixo, pedir seus amigos para buscar seus CDs e depois ainda mudar de telefone.

Não, eu NÃO preciso disso.

Você agora é só mais alguém que um dia eu conheci.

Adeus,

De quem foi deixado.

Vez por outra eu me lembro de todas aquelas vezes que você me sacaneou e me fez acreditar que a culpa era a minha. Eu só não quero viver assim, remoendo cada palavra que você me diz. Você disse que ia esquecer e não se preocupar mais com alguém que um dia conheceu.

Adeus,

De quem deixou ir.


The Fixer – Pearl Jam

É hoje! Sim, hoje: show do Pearl  Jam.

A referida banda tem grande (e talvez a maior) participação na minha formação musical e no gosto e amor que eu tenho pelo rock, porque foram eles os primeiros a me deixarem arrepiada com sons de guitarras distorcidas. Sem dúvida – e muita gente nem sabe -, Pearl Jam é sim a minha banda favorita.

E nesse dia mais que especial eu não podia deixar de postar uma música dos caras. Das inúmeras ótimas opções que eu tinhas às mãos, fiquei com aquela que ouvi e cantei/gritei hoje no caminho para o trabalho dentro do carro de uma amiga muito, mas muito querida: The Fixer.

Yeah, yeah, yeah, os problemas já começam com o título. O mais irônico, no entanto, é que foi exatamente o sentido que ‘fixer’ me trouxe que me fez escolher o estilo de tradução que tentei adotar, o mais informal possível. Ok, mas nada de sufixo -dor e dizer ‘consertador’. De primeira, pensei que a melhor tradução para ‘fixer’ seria algo como ‘faz-tudo’, sabe? Mas dando uma espiadinha no dicionário – o Longman, claro – achei o seguinte: “fixer : someone who is good at arranging things and solving problems for other people, sometimes by using dishonest methods.” Em português significa alguém que é bom em arrumar as coisas e resolver problemas, as vezes de maneira incorreta ou desonesta.

Não deu outra! Com um jeitinho brasileiro de se resolver a parada, logo pensei em traduzir como “quebra-galho”. E como boa brasileira nordestina que sou, optei por utilizar uma palavra que já escutei muito em casa: endireitar. Nem sabia mas até tem no dicionário! rs!

Bom, segue letra e tradução. Please, comentem, opinem e sugiram porque é bom e eu gosto muito! =)

THE FIXER

When something’s dark, let me shed a little light on it

When something’s cold, let me put a little fire on it

If something’s old, I wanna put a bit of shine on it

When something’s gone, I wanna fight to get it back again

Yeah, yeah, yeah, fight to get it back again

When something’s broke, I wanna put a bit of fixin’ on it

When something’s bored, I wanna put a little exciting on it

If something’s low, I wanna put a little high on it

When something’s lost, I wanna fight to get it back again

Yeah, yeah, yeah, fight to get it back again

When signals cross, I wanna put a little straight on it

If there’s no love, I wanna try to love again

I’ll say your prayers, I’ll take your side

I’ll find us a way to make light

I’ll dig your grave, we’ll dance and sing

What’s saved could be one last lifetime

O QUEBRA-GALHO

Quando tá escuro dou um jeitinho de clarear

Quando tá frio dou um jeitinho de esquentar

Se tá velho, quero dar uma polidinha

Quando tá perdido, quero lutar pra recuperar

É isso aí, lutar pra recuperar

 

Quando tá quebrado dou um jeitinho de consertar

Quando tá chato dou um jeitinho de agitar

Se tá devagar, quero dar uma sacudidinha

Quando tá perdido, quero lutar pra recuperar

É isso aí, lutar pra recuperar

 

Quando dá linha cruzada, eu quero endireitar

Se não deu certo esse amor, ainda quero tentar

 

Vou rezar, vou te apoiar

Dou um jeito e faço a luz brilhar

Eu cavo a sepultura, pra gente cantar e dançar

O que tá guardado pode ser  o último momento a ficar

Every Teardrop is a Waterfall – Coldplay

Galera, na fase Coldplay que estou, não podia dar em outra coisa. Ainda mais depois de ir ao Rock in Rio e assistir os caras ao vivo. Foi simplesmente demais! Sem contar no tanto que eu chorei o show inteiro… hahahaha.

Mas não tem como não se emocionar, vai:

Tenho que confessar que sempre tenho uma certa resistência às coisas novas de artistas com um pouco mais de estrada, mas o Coldplay tem me surpreendido. Sim, eu gostei (e muito) do single novo deles, esse que tá tocando bastante por aí, o “Every Teardrop is a Waterfall”. Li algumas coisas sobre letra da música, mas me limito a deixar que vocês tirem suas próprias conclusões sobre o que ela quer dizer e que, claro, compartilhem aqui.
Aprendi coisas bem interessantes ao traduzir essa letra. Talvez a mais legal tenha sido a expressão “to be in the black”. Nada tão ruim como ficar com o “olho preto” do outro post… hahaha. Brincadeiras a parte, é de se pensar realmente que seja algo ruim, pelo fato de que a cor preta normalmente se refere a coisas ruins ou tristes. Mas enganam-se todos que pensam isso dessa coitada. Segue definição do Longman Dictionary– já disse que esse dicionário é o meu favorito ever? – :  be in the black: to have money in your bank account [≠ be in the red]. Em português, isso significa “ter dinheiro na conta bancária”, o contrário da expressão “be in the red”, que traduzo aqui como “estar no vermelho”. Poxa, eu quero preto na minha conta pra sempre! rsrsrs!
Um tanto surpreendente, não? Na letra traduzida, essa “be in the black” virou “estar bem de vida”, até porque na pior não dava mesmo pra ser! Mas infelizmente não consegui colocar as duas expressões como eu queria e, para manter a rima (priorizei isso dessa vez), resolvi trocar um pouco mas acredito que ideia tenha ficado minimamente parecida.
Bom, deixo aí embaixo a tradução e espero os comentários e, assim que tiver pelo menos uns 5 falando o que acham que a música quer dizer, falo sobre a minha opinião a rerspeito. Combinado?
Enjoy it!

Eu aumento o som, coloco meus CDs

Fecho a porta pro mundo lá fora até a luz se acender

Talvez as ruas estejam em chamas, e as árvores estejam sumidas

Sinto meu coração palpitar ao som da minha música preferida

A garotada toda dança, toda a garotada a noite toda

Até que a manhã de segunda pareça outra coisa

Eu aumento o som

Agora tá tudo certo na vida

E tenho o Paraíso à vista

Eu aumento o som, coloco meus CDs

Debaixo dos escombros, canto uma música rebelde pra valer

Não quero presenciar mais uma geração desistir

Prefiro ser a pausa de uma vírgula a ser um ponto final, o fim

Talvez eu esteja bem de vida, Talvez eu seja um mendigo

Talvez eu esteja embaixo do trapézio de um circo

Mas meu coração palpita e meus pulsos constroem

E catedrais do meu peito saem

Quando vimos aquela luz, posso jurar que você surgiu a brilhar

Me dizendo que tudo vai melhorar

Quando pulamos os muros, todas as sirenes viram uma sinfonia

E todas as lágrimas viram uma cachoeira

Viram uma cachoeira

Então pode me machucar pra valer

Mas eu ainda vou vencer

Viraram uma cachoeira

Uma cachoeira

Todas as lágrimas

Todas as lágrimas

Todas as lágrimas viram uma cachoeira

Back, but not to black

Finally. é isso mesmo: F I N A L M E N TE!

Meaning in Music está de volta! Aos caros leitores que passaram por aqui e deixaram seus comentáriso e pedidos, um grande GRITO de desculpas, pois a volta se mostrou bem mais complicada do que eu imaginava. Mas os tempos são outros agora e após muitos e muitos acontecimentos e descobertas (experiências diversas na vida que qualquer dia desses eu acho que conto), concluí que tradução mesmo, pra mim, tem que ser de música. Não tem jeito. Eu amo música, sem preconceitos – tenho minhas preferências, claro, mas estou aberta a conhecer coisas novas sempre -, e pelo que tenho visto nada anda muito mudado nesse ramo da tradução. A coisa ainda tá preta.

E por falar em preta, estou lendo um desses best-sellers aí, um que se chama “Melancia”, sabem? Pois é, estou eu lá no meio da leitura quando percebo uma frase do tipo “queria deixar ele com um olho preto”. Anderson Silva que não escute essa! Não prefiro nenhum nem outro, mas se for pra levar que seja um “olho roxo” , né?

A maior dificuldade de se traduzir é sempre quando tratamos de expressões do cotidiano, do universo mais informal. É preciso ter bastante conhecimento dessa linguagem para fazer com o que se está traduzido passe a mesma mensagem do original, mas com a carinha do idioma novo. “Black eye” em português não dá pra encarar como “olho preto”, concordam?

Enfim, por essas e outras resolvi que de uma vez por todas vou estar aqui com um pouco mais de corpo e alma do que antes. Sem muitas pretensões, nada de entrar em análises muito profundas das letras Minha proposta é, sempre que der, destacar alguma coisa que eu achar interessante nas letras, do ponto de vista gramatical (colocações e afins) e fazer algum comentário. Depois disso, segue vídeo e tradução. Aproveitem, comentem, opinem!

Beijos e até mais,

Cah(milla)

He loves me not… he loves me

Essas últimas semanas não tenho tido muito tempo para escrever, por isso pra começar o mês vou postar uma tradução e análise feita para a pós na matéria de linguística. O trecho é de um livro chamado “He loves me not… he loves me” escrito por uma atriz irlandesa chamada Claudia Carroll. O livro conta de maneira adocicada a história de uma família de mulheres tentando manter a pose após a fuga do patriarca com todo o dinheiro da casa e pior: levando consigo a jovem empregada do estábulo na enorme fazenda onde morava com mulher e filhas. A história é bem legal, principalmente pelo fato de que há muitas palavras com formas bem particulares de escrita, características da cultura irlandesa. Vale a pena pra quem gosta de inglês dar uma olhadinha no original e conferir uma senhorinha que trabalha para a família falando um inglês bem esquisito, pricipalmente para aqueles que estão mais acostumados com o linguajar do Tio Sam.

Ah! Não posso esquecer de agradeçer a ‘chata’ da minha amiga Jakelline por ter indicado incessantemente esse livro e praticamente ter me ‘cobrado’ a tradução. Valeu Jakie – rendeu um 10,0!

Segue introdução do trabalho, original e tradução de um trecho do primeiro capítulo e também uma breve análise de algumas escolhas feitas na tradução:

Introdução

Pouco se sabe sobre Claudia Carroll no Brasil. Atriz, essa irlandesa divide seu tempo entre as gravações da série de TV Fair City e a paixão por escrever. Em seu romance de estréia He loves me not… He loves me, ela conta a história de Lucasta e suas filhas, Portia e Daisy. Depois de abandonadas por Lorde Jack Davenport – marido, pai e apostador compulsivo que fugira levando o pouco dinheiro que ainda restava à família e também a jovem Sarah, outrora ajudante de cavalaria da família – elas recebem a oportunidade de ter a casa da família há gerações, a em estado deplorável Davenport Hall, transformada em um set de filmagens para uma produção cinematográfica americana.

Através de um narrador onisciente, os fatos são contados de modo a dar espaço a longas discrições, acentuando ainda mais a intimidade do narrador em relação aos personagens.

De forma a preservar tal familiaridade, procurou-se utilizar uma metodologia de tradução por vezes livre, mas em sua maior parte idiomática, a fim de aproximar o leitor ao máximo do universo do texto.

Da mesma maneira, ainda com relação à metodologia escolhida, tal tradução foi feita também pensando em um leitorado similar nas duas línguas: um público não muito preocupado com a profundidade psicológica dos personagens, mas sim com uma narrativa compreensiva em sua totalidade e de agradável leitura.


HE LOVES ME NOT… HE LOVES ME

Chapter One

OK, so it wasn’t a Friday, but it was still the thirteenth. If Portia had never been superstitious before, she was now. As she stood in the freezing Drawing Room of her family’s ancestral home(1), Davenport Hall, with her mother, wailing in the background, she found herself idly wondering, the way you do (2b) in times of crisis, could this really be happening?

‘It can’t be true, my darling. It simply can’t be true,’ howled Lucasta for the umpteenth(1) time that morning. ‘How could he just bolt off into the blue without a by-you-leave? We were married for thirty-six years and to think that your father has abandoned me …ME! I was debutante of the year in nineteen sixty-six and everyone said your father was the luckiest man alive to have landed me …’ And at the thought of her bygone youth and beauty, she spiraled off into a fresh bout of hysterics. ‘I know I told him to bugger off, but how was I to know the bastard would actually leave? The one time in his worthless buggery life he actually did what I asked!’

Portia sighed deeply as she went to console her mother, yet again.

The unseasonable March(1) sunshine streamed through the enormous bay window which dominated the room, bathing mother and daughter with warmth, which neither of them felt inside. To an outsider, they looked like an odd(2a) pair. Lucasta, Lady Davenport, although only in her mid-fifties, looked a great deal older, a legacy of her fondness for one gin and tonic too many. Her waist-length hair, which had been so admired during that debutante year, was now gray and matted(2a) and certainly hadn’t seen the inside of a hairdresser’s since the moon landings.  Dressed in her trademark willies, moth-eaten navy jacket and layer upon layer of heavy wool jumpers, she looked like she’d just mugged a homeless person and then ripped the clothes off their back. Yet, even though her red face was all puffy and swollen from crying, you could still tell(2b) that, in her youth, she would have been considered ‘a handsome woman’.

Portia, her eldest daughter, was another story. Tall, thin and pale, with her light brown hair tied neatly behind her neck, she was as white as a ghost today. Not from shock, but from worry, sheer worry.

Mal-me-quer, bem-me-quer

Capítulo 1

TUDO BEM que não era uma sexta-feira, mas ainda sim era dia 13. Se Portia nunca fora supersticiosa antes, agora ela era. Na sala de estar congelante de Davenport Hall, casa da família há gerações(1), com sua mãe aos prantos como pano de fundo, ela se viu ao ócio pensando, do jeito que se faz(2b) em épocas de crise, será que isso podia mesmo estar acontecendo?

“Não pode ser verdade, minha querida. Simplesmente não pode ser verdade”, berrou Lucasta pela milésima(1) vez naquela manhã. “Como ele pôde sair correndo assim sem explicação nem permissão alguma? Estávamos casados há trinta e seis anos e todo mundo dizia que seu pai era o homem mais sortudo do mundo por ter me fisgado…” E no pensamento de uma época distante de juventude e beleza, ela entrou frenética em uma crise de histeria. “Sei que eu mandei aquele desgraçado pra fora daqui, mas como eu poderia saber que ele realmente iria? Foi a única vez naquela vida sodomita sem valor que ele realmente fez o que eu pedi!”

Portia suspirou fundo ao ir consolar sua mãe, mais uma vez.

O sol, mais forte do que o de costume em Março(1), tomava mãe e filha com o calor de seus raios pela enorme janela da sacada, calor que nenhuma delas sentia por dentro. Aos olhos de um estranho, elas pareciam não ter muito em comum(2a). Lucasta, Lady Davenport, mesmo sendo uma mulher de meia-idade aparentava bem mais velha, herança de seu fascínio por muito gim-tônica. Os cabelos até a cintura, tão admirados naquele ano de debutante, agora um emaranhado de fios brancos e sem brilho(2a), não viam um cabeleireiro desde que o homem pisou na lua pela primeira vez(1). Com sapatos artesanais e uma jaqueta azul-marinho toda furada e vários suéteres de lã, vestidos uns por cima dos outros, ela parecia ter acabado de assaltar um mendigo e lhe roubado as roupas. Mesmo assim, com o rosto inchado feito um balão de tanto chorar, ainda era possível dizer(2b) que quando jovem ela podia mesmo ter sido considerada uma mulher “bem-apessoada”.

Portia, sua filha mais velha, era um caso a parte. Alta, magra e pálida, cabelos cor de mel amarrados na altura do pescoço em um meio rabo-de-cavalo, ela estava mais branca que um fantasma hoje, não de medo, mas de preocupação… pura preocupação.

  1. 1. Efeito Equivalente

Ao longo do original, é possível perceber a utilização de longas descrições das personagens e cenários, a fim de envolver o leitor de maneira plena no plano textual.

A fim de preservar esta característica, observou-se a necessidade de paráfrases mais longas – equivalentes descritivos – com intuito de abranger todas as idéias expressas no original apenas com uma palavra (acestral, unseasonable, landings). O único momento em que foi possível transpor o sentido do original em apenas um termo foi passagem umpteenth, traduzida por milésima.

  1. 2. Modulação: mudança de perspectiva

Observou-se dois tipos de modulação em alguns trechos da tradução:

  1. Eufemismos: para o termo odd, a tradução por não (…) comum foi preferível ao invés de estranho, e para a palavra matted, curiosamente, foi possível compensar na tradução suas duas acepções – primeiramente emaranhado e, em seguida, o eufemismo sem brilho para suavizar o sentido de opaco.
  2. Mudança de voz: Como sabemos, em inglês o pronome you algumas vezes é utilizado não somente para indicar 2ª pessoa do singular ou plural. Nos trechos destacados, optou-se pela tradução impessoal desse pronome, a fim de considerar os fatos narrados pertinentes não só aos personagens, mas sim à sociedade de modo geral.

Use Somebody – Kings of Leon

Adoro Kings of Leon e não vi oportunidade melhor para começar as traduções do que esta música. Em todos os lugares nos quais busquei a tradução, há sempre a expressão que entitula a música traduzida como “usar alguém”. No entanto, acho esta escolha um pouco sem pé nem cabeça se levarmos em consideração a letra como um todo. Daí comecei a pensar nas possibilidades para este trecho e também, após ler e reler a letra, em tudo que isso poderia dizer. Foi então que percebi que o mais importante esqueceu de ser considerado: o verbo auxiliar “could”. A expressão “could use” tem um sentido completamente diferente do verbo em questão. Segue a definição do dicionário Longman: could use something (spoken):  if you say you could use something, you mean you would really like to have it: I could use a drink. Pra quem não entendeu aí vai a definição traduzida: could use significa querer muito algo, como no exemplo dado – Eu queria muito uma bebida. Puxa, agora eu fiquei mesmo afim de um drink. Rs! Deixo vocês com a minha tradução para toda a letra. Analisem e comentem!

Tenho andado por aí
Sempre menosprezando tudo que vejo;
Rostos coloridos enchem lugares aos quais não pertenço.

Você sabe que eu queria muito alguém,
Você sabe que eu queria muito alguém,

Alguém como você

Com tudo que sabe, e o com seu sotaque

Com inúmeros amores soltos nas ruas como disfarce.

Você sabe que eu queria muito alguém,
Você sabe que eu queria muito alguém,
Alguém assim como você.


Noite adentro você vive enquanto eu adentro o sono
E travo batalhas tentando acordar o poeta e a rima.

Espero que isso te faça notar,

Espero que isso te faça notar,

Alguém assim como eu

Alguém assim como eu

Alguém assim como eu – um alguém


Alguém assim como você – um alguém
Alguém assim como você – um alguém

Alguém assim como você – um alguém

Tenho andado por aí
Sempre menosprezando tudo que vejo.